Porque é que os relógios de pêndulo atrasam no Verão?
Um pêndulo demora a ir e vir um tempo que depende só do seu comprimento e da gravidade — a massa não entra na conta, o que já é surpreendente por si. E como o comprimento aparece dentro de uma raiz quadrada, um pêndulo mais comprido oscila mais devagar.
A haste é de metal, e o metal aquece. Dez graus a mais esticam uma haste de um metro em pouco mais de um décimo de milímetro. Parece nada, e é: dá seis centésimos de milésimo de diferença no ritmo. Só que o relógio faz esse gesto oitenta e seis mil e quatrocentas vezes por dia, e no fim do dia atrasou cinco segundos. Ao fim do mês são dois minutos e meio, e a culpa é toda do Verão.
Isto irritou muita gente durante muito tempo, e resolveu-se por volta de 1726 com duas soluções elegantes na mesma década. George Graham pendurou na ponta um frasco de mercúrio: quando o calor estica a haste para baixo, estica o mercúrio para cima, e o centro de massa fica onde estava. John Harrison foi por outro caminho e montou uma gaiola de varões alternados de latão e aço, que crescem quantidades diferentes em sentidos opostos e se anulam. Duas maneiras de dizer a mesma coisa: se não consegues impedir uma peça de crescer, arranja-lhe outra que cresça ao contrário.
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